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"...Caminhando e cantando e seguindo a canção..."

Foto do escritor: Sandra BraikSandra Braik

Dia exaustante. O cansaço físico e mental dominam teu corpo. O que você mais quer é chegar o quanto antes em casa. Aquele banho morninho e um bom jantar te fazem imaginar como seria sensacional ter comprado um helicóptero; melhor ainda se tivesse poupado os reais gastos com os constantes e irrecusáveis happy hours. Se arrepende amargamente quando avista o símbolo da Mercedes-Benz preso na caixa retangular e metálica com rodas em excesso? No máximo adquiriu um bilhete único? É... "rapadura é doce, mas não é mole não" meu caro.


Como se esse transtorno já não fosse suficiente para sua vida ser uma merda, você entra no ônibus. As "encoxadas" por velhos tarados, cotoveladas, joelhadas, cabeçadas, pisadas de pé, "bundadas", mal cheiro, xingamentos, erros de potuguês e a fluência dos outros passageiros em dialetos desconhecidos são rotina. Você olha a paisagem - que não muda. São carros e mais carros parados em volta - e começa a pedir para todos os santos e ao Todo Poderoso Timão que chegue logo, ou pelo menos vivo.


Até aí tudo andava "bem", mas de repente você escuta uma música e pensa que é de algum veículo que deixou o vidro aberto. Não. Você se enganou. Aquele jovenzinho infeliz a dois bancos de distância está escutando música em seu celular em alto em bom som, quer dizer, só alto porque boa sonoridade nunca é. E a trilha sonora começa:


"Lua vai, iluminar os pensamentos dela (com essa música, o máximo que pode acontecer é iluminar até dar branco) fala pra ela que sem ela eu não vivo (ela é que tem que agradecer por não viver contigo) viver sem ela é o meu pior castigo...(o seu pior castigo é ter escolhido essa música pra cantar)". Tem quem traga repertórios mais ousados (e comestíveis, mas difíceis de engolir - se é que me entendem): "Depois lá dentro. Tem forró, tem batucada. Cantador de embolada..."


E depois de insistentes duas horas de trânsito (claro que o infeliz da música vai descer no ponto final) você se martiriza por não ter comprado aquele bendito helicóptero e na manhã seguinte o foco será em conseguir um sagrado cofrinho.


As pessoas não têm noção de espaço, individualidade e respeito. São egoístas ao dividir (des)gostos com o coletivo.


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